AJJ OUTRA VEZ II

Quarta-feira, como já disse e comentei numa postagem anterior, o tema da crónica da ultima página, de Helena Matos, foi AJJ.
Quinta-feira, um historiador de nome Rui Tavares, dedica, também na ultima página, a outra vez a AJJ, um artigo intitulado "A política de intimidação", que transcrevo, e cuja justiça de avaliação, deixo aos que com ele privam.
A POLÌTICA DA INTIMIDAÇÃO
E eis que em pleno Carnaval - apropriadamente - Alberto João Jardim se demitiu de chefe do Governo Regional da Madeira para logo se voltar a candidatar ao mesmo cargo. Implicitamente, admitiu que a realidade política em que ele se movia mudou de forma radical. Explicitamente, a mensagem que quer fazer passar é a de que só admite jogar segundo as suas próprias regras. Vejamos cada um dos aspectos. Alberto João Jardim não é um brutamontes agressivo que diz tudo o que lhe passa pela cabeça. Alberto João Jardim apenas parece um brutamontes agressivo que diz tudo o que lhe passa pela cabeça. Essa imagem é crucial para os seus intentos. Nos intervalos, Alberto João Jardim pode ser manobrista, sedutor, surpreendente, um encanto de pessoa. Esta versatilidade permitiu-lhe sempre navegar na política nacional, com algum risco é certo, mas dividendos incomparáveis. Entalou os políticos nacionais e comprou o consenso dos madeirenses. Governou uma região como quis, com os recursos que quis, durante o tempo que quis. Nenhum outro político português se pode gabar do mesmo. Subitamente tudo mudou. Sócrates foi eleito não apenas com maioria absoluta, mas uma maioria absoluta que dispensa os votos madeirenses. Não só Sócrates não precisava de Alberto João, como nem precisa de se preocupar com a eventualidade de vir a precisar. Foi aí que a arte da intimidação, em que Alberto João Jardim se especializara, deixou de funcionar. Em que consiste a arte da intimidação? Em deixar os outros permanentemente suspensos, receosos das nossas atitudes. Tudo em Alberto João Jardim, desde a linguagem corporal à retórica, denuncia alguém que se compraz em meter medo aos outros. Quando Alberto João se "porta mal", pode enxovalhar, insultar, ameaçar. Quando Alberto João se "porta bem", o que faz nos intervalos, sorri, brinca, lisonjeia. Mas mesmo aí os seus interlocutores continuam encolhidos, à espera da pancada. Alberto João Jardim manipula-os, prolongando o gozo, deixando-os na ignorância de quando virá o próximo acesso de agressividade criteriosamente gerido e encenado. Por isso os madeirenses que o rejeitam se calam em público e os que o apoiam o louvam o mais que podem. Por isso os líderes do PSD vão à Madeira a medo, receando que ele lhes prepare alguma surpresa. Por isso os jornalistas nunca o confrontam, com receio de desencadear uma fúria. Se ele estiver virado do avesso, salve-se quem puder. Se ele estiver um doce, pior ainda: não se pode relaxar. Esta manha permite-lhe ocultar algumas coisas. Na verdade, já acabou o tempo em que o estilo de Alberto João Jardim beneficiava a Madeira; hoje em dia Alberto João é um peso morto que perdeu a batalha das finanças regionais, não tem amigos nem aliados, não consegue sair de cena por cima. Na verdade, Alberto João Jardim apresenta os continentais como ladrões e os seus rivais madeirenses como traidores precisamente para ocultar que ele, hoje, prejudica mais do que auxilia. Na verdade, a Madeira teria a ganhar em ver-se livre de Alberto João. Na verdade, só há uma maneira de enfrentar a política da intimidação: não se deixar intimidar. Historiador.Rui Tavares - Publico - 22.02.2007
E eis que em pleno Carnaval - apropriadamente - Alberto João Jardim se demitiu de chefe do Governo Regional da Madeira para logo se voltar a candidatar ao mesmo cargo. Implicitamente, admitiu que a realidade política em que ele se movia mudou de forma radical. Explicitamente, a mensagem que quer fazer passar é a de que só admite jogar segundo as suas próprias regras. Vejamos cada um dos aspectos. Alberto João Jardim não é um brutamontes agressivo que diz tudo o que lhe passa pela cabeça. Alberto João Jardim apenas parece um brutamontes agressivo que diz tudo o que lhe passa pela cabeça. Essa imagem é crucial para os seus intentos. Nos intervalos, Alberto João Jardim pode ser manobrista, sedutor, surpreendente, um encanto de pessoa. Esta versatilidade permitiu-lhe sempre navegar na política nacional, com algum risco é certo, mas dividendos incomparáveis. Entalou os políticos nacionais e comprou o consenso dos madeirenses. Governou uma região como quis, com os recursos que quis, durante o tempo que quis. Nenhum outro político português se pode gabar do mesmo. Subitamente tudo mudou. Sócrates foi eleito não apenas com maioria absoluta, mas uma maioria absoluta que dispensa os votos madeirenses. Não só Sócrates não precisava de Alberto João, como nem precisa de se preocupar com a eventualidade de vir a precisar. Foi aí que a arte da intimidação, em que Alberto João Jardim se especializara, deixou de funcionar. Em que consiste a arte da intimidação? Em deixar os outros permanentemente suspensos, receosos das nossas atitudes. Tudo em Alberto João Jardim, desde a linguagem corporal à retórica, denuncia alguém que se compraz em meter medo aos outros. Quando Alberto João se "porta mal", pode enxovalhar, insultar, ameaçar. Quando Alberto João se "porta bem", o que faz nos intervalos, sorri, brinca, lisonjeia. Mas mesmo aí os seus interlocutores continuam encolhidos, à espera da pancada. Alberto João Jardim manipula-os, prolongando o gozo, deixando-os na ignorância de quando virá o próximo acesso de agressividade criteriosamente gerido e encenado. Por isso os madeirenses que o rejeitam se calam em público e os que o apoiam o louvam o mais que podem. Por isso os líderes do PSD vão à Madeira a medo, receando que ele lhes prepare alguma surpresa. Por isso os jornalistas nunca o confrontam, com receio de desencadear uma fúria. Se ele estiver virado do avesso, salve-se quem puder. Se ele estiver um doce, pior ainda: não se pode relaxar. Esta manha permite-lhe ocultar algumas coisas. Na verdade, já acabou o tempo em que o estilo de Alberto João Jardim beneficiava a Madeira; hoje em dia Alberto João é um peso morto que perdeu a batalha das finanças regionais, não tem amigos nem aliados, não consegue sair de cena por cima. Na verdade, Alberto João Jardim apresenta os continentais como ladrões e os seus rivais madeirenses como traidores precisamente para ocultar que ele, hoje, prejudica mais do que auxilia. Na verdade, a Madeira teria a ganhar em ver-se livre de Alberto João. Na verdade, só há uma maneira de enfrentar a política da intimidação: não se deixar intimidar. Historiador.Rui Tavares - Publico - 22.02.2007
Sexta-feira, outra vez na ultima página, Vasco Pulido Valente dedica a AJJ o seu artigo. Transcrevemos o texto e, imaginamos que o cronista que deve gostar do político madeirense, pois só usa uma pequena parte da sua usual capacidade de ser mordaz.
OS PLANOS DE JARDIM
A Madeira era uma das regiões mais pobres de Portugal, é hoje uma das regiões mais ricas: 75 por cento do rendimento per capita da "Europa". Era uma ilha ignorada do Atlântico, é hoje um centro de turismo de luxo e uma "zona franca". Não pesava em Lisboa, agora pesa. O Funchal tem um ar cosmopolita e "moderno". Os jornais chegam de Inglaterra com um dia de atraso. As comunicações melhoraram dramaticamente. E o Nacional e o Marítimo jogam na I Liga. Calculo que os madeirenses se interessem pouco ou nada pelos métodos de Jardim, que os tiraram do isolamento e da miséria, como calculo que Jardim não se embaraçasse com escrúpulos para fazer o que fez.Na essência, Jardim usou o poder do Governo regional para extrair a Lisboa, através do PSD, e à "Europa", através de Lisboa, todo o dinheiro que podia e merecia e até o que não podia, nem merecia. E, a seguir, num sítio tão pequeno e com recursos próprios tão limitados, em que a sociedade tendia naturalmente a depender do Estado, não lhe foi difícil estabelecer uma espécie de regime populista e autoritário, e pôr à margem a oposição. Os madeirenses votavam em quem lhes dava emprego, electricidade, estradas, saneamento básico, habitação e Jardim nunca permitiu, na prática, que se discutisse a bondade, que lhe parecia óbvia, da sua polícia. Subsidiava a parte relevante da imprensa, controlava a televisão e a rádio. O número cómico do Jardim inconveniente e vociferante nunca passou de uma diversão para esconder o que ele de facto queria de Lisboa: ou seja, que pagasse a conta e não interferisse.Aestratégia de Jardim implicava (e continua a implicar) um conflito constante com o "colonialismo do continente". Mas, como se compreenderá, o "continente" só verdadeiramente o prejudica, se uma maioria absoluta, em absoluto, dispensa os deputados da Madeira. Quando soube os resultados da eleição de 1980, Sá Carneiro comentou: "Até que enfim que me vi livre desse...". Jardim também sempre detestou Cavaco. E Sócrates, para ele, não é menos do que anti-Cristo. Por detrás da eleição que se anuncia não está um cálculo mesquinho, como por aí se julga. Jardim perdeu a esperança em Lisboa e precisa de uma legitimidade esmagadora para uma operação de outro calibre: a de renegociar os termos da autonomia. Não prepara uma manobra táctica, prepara um terramoto. Vasco Pulido Velente - Publico -23.02.2007
E Socrates esfrega as mãos de contente...... mais três crónicas em que o Primeiro Ministro e o seu Governo passam ao lado... e não fossem os dados do desemprego e da recuperação económica serem mesmo catastróficos... e tudo continuaria a correr de feição para estes governantes socialistas de direita.

0 Comentários:
Enviar um comentário
<< Página inicial