quarta-feira, fevereiro 21, 2007

AJJ e SÓCRATES

“Devemos ser modestos e lembrar-nos de que os outros são inferiores a nós." Oscar Wilde
Helena Matos - na edição do Público de hoje diz:
"Alberto João Jardim resolveu demitir-se não propriamente por ter razão – e na Lei das Finanças Regionais tem alguma –, mas sobretudo porque de uma assentada mata vários coelhos. Na campanha que se avizinha, é provável que o PS local fi que reduzido a uma pálida sombra da sombra que já é. Simultaneamente, refreia os entusiasmos daqueles que já se viam seus sucessores. E, sobretudo, garante a sua presença na política activa até 2011, o que quer dizer que se fará ouvir nas próximas presidenciais, autárquicas, legislativas e ainda na revisão constitucional. Mas, para além dessas, outra razão existe: Alberto João tem pela primeira vez em Lisboa alguém com quem se identifi ca. Tirem o ar
boçal e alguns anos a Alberto João, vistam-no melhor, anulem--lhe o sotaque e eis o que sobra:um homem que detesta que o confrontem e um líder que gosta dese ver como um animal feroz. Ou seja, José Sócrates, um homem que, como Jardim, é feito pelo poder. Não se imagina Alberto João a fazer oposição, arrastando-se anos pelo Parlamento, fosse ele regional ou nacional. Quanto a José Sócrates, convém recordar que não só foi um mau líder de oposição como apenas ganhou as eleições porque Santana as perdeu. Mas o poder deu-lhe o carisma que não tinha. Afinal, o exercício do poder que desgasta os outros líderes é o que dá forma e estrutura a homens como Sócrates e Jardim."

Clarividente como é hábito e sem complexos que toldem a sua visão, ao contrário de alguns seus colegas, mesmo na Madeira, Helena Matos foi certeira. Jardim e Sócrates são muito parecidos, não só no bom como no mau. E a diferença entre a Madeira e o Continente é essencialmente reflexo de AJJ estar no poder hà trinta anos e JS ter chegado hà dois anos. A Madeira teve um rumo, discorde-se ou não do mesmo, mas teve um rumo. Portugal teve vários rumos e infelizmente teve largos períodos sem rumo, o que também prejudicou a Madeira, diga-se. Desçam à terra e reconheçamos como foi possível este País ter tido primeiro-ministros como Vasco Gonçalves, Pinheiro de Azevedo e Pedro Santana Lopes. Já pensaram como foi possível este País ter sido governado, durante tanto tempo, pela hesitação constante do Eng. Guterres e pela superficialidade leviana do Dr. Mário Soares? Façam as contas e somem os anos que estes 5 senhores tiveram no comando deste nosso País e verão que infelizmente mais de metade do tempo desde o 25 de Abril, foi a andar às voltas e para trás. É por isso que apesar de discordar em algumas matérias do Dr. AJJ e de não cheirar o Eng. Sócrates, tenho que reconhecer que a Madeira e Portugal precisam de homens que tenham rumo, mesmo que não seja o meu rumo, o importante é tê-lo.Só é preciso que eles se entendam, podem publicamente continuar em ruptura, pois é vantajoso para ambos, mas nos bastidores eles têm que se entender. E o Prof. Cavaco está em situação ideal para isso.